Ciúme da sombra que não te larga
Das partículas de ar que atropelam
Sua face rubra num tropeço delicado
Ciúmes das vestimentas que ficam
Acariciando sua pele morna e macia
Vestimentas que tocam seu íntimo
Deixando na alma a marca do conforto
Ciúmes de águas passadas
Que dizem não mover moinhos
Ah! se soubessem a energia
Que me dá as lembranças
De momentos que não participei
Como um ferro aquecendo
Minha pele se torna vermelha
E num fervor rápido minha pele
Se revela uma chaleira em pleno apito
Mas num instante chega o acalanto
E me faz dormir como um neném
A se sentir seguro no colo de sua mãe
Assim é a segurança que sinto abraçar-te
Colar meu peito no seu, amada
É como fazer não existir toda mácula do mundo
Ou como destacar apenas os momentos ao seu lado
Ah! o ciúme.
Sentimento esse que mata por dentro
Que causa insegurança
Que faz qualquer homem tremer
Amo o ciúme.
Como uma vacina infecta do mau para nos poupar
Amo o ciúme despotencializado
Pois ele nos deixa atento
Não nos deixa perder um detalhe sequer
E num rompante louco
Vem num turbilhão de sentimentos
Me lembrar aquilo que não esqueço.
Aquilo que não dizendo eu digo
Que calado eu falo
E mesmo escondido eu mostro
Aquilo que meu coração fala
Aquilo que os poetas falam
Isso mesmo.
Aquilo que sempre digo
Repito
Eu te amo.
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